sexta-feira, 29 de maio de 2009

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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Curta os curtas



O formato curta-metragem existe desde o início do século passado, mas, foi a partir dos anos 80 que as Mostras de Cinema no Brasil passaram a dar destaque para esse formato cinematográfico. O termo “curta-metragem” surgiu nos Estados Unidos por volta de 1910, quando os filmes passaram a ter maior duração, sendo necessário inseri-los em diferentes categorias: curta, média -metragem (acima de 30 minutos), e longa-metragem (acima de 70 minutos). Apesar da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), classificar oficialmente como curta metragem os filmes com duração inferior a 15 minutos, em alguns lugares, filmes com menos de 30 minutos também são considerados curtas-metragens.

Diferente do que acontece com os outros tipos de produções, os curtas-metragens se popularizaram com o gênero de animação. Também utilizam o formato de curta-metragem para os live-action. Além disso, o formato é bastante utilizado na produção de documentários e principalmente em filmagens universitárias e filmes de pesquisa experimental.

Alguns curtas que achei interessantes citar são do Jorge Furtado:

O Dia em que Dorival Encarou a Guarda
A obra é uma adaptação do oitavo episódio do livro "O Amor de Pedro por João", de Tabajara Ruas. Em uma prisão militar, o detento Dorival tenta convencer os guardas a permitir que ele tome um banho. Mas o preso esbarra na negativa dos guardas, embora estes não consigam justificar para Dorival a razão que o impede de tomar o banho. Eis um trecho:




Temporal
Numa mesma casa, na mesma noite, reúnem-se dois grupos. Um formado por senhores muito sérios, integrantes de uma ordem religiosa. O outro, um bando de malucos em fantasias de animais, numa festa com sexo e rock'n'roll. Quando começa o temporal e a luz apaga, tudo pode acontecer. Eis um trecho:



A Matadeira
O filme conta o massacre de Canudos a partir de um canhão inglês, apelidado pelos sertanejos de a matadeira, que foi transportado por vinte juntas de boi através do sertão para disparar um único tiro.

Por Nathielle Hó, estudante do 5º período de Comunicação Social, do Centro Universitário Plínio Leite.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Os Sonhadores


Os sonhadores - O filme de Bertolucci é uma representação e também reflexão em um mundo adolescente misturado com ares de criança. Os irmãos Isabelle e Theo se encontram sozinhos em Paris em um período em que seus pais saem de férias e convidam um jovem americano, Matthew, para fazer-lhes companhia. Dentro do apartamento, os jovens criam suas próprias regras e desfrutam/ e as obedecem entre si. Fora do núcleo em que as regras seguem os ideais dos adolescentes, segue o cenário da política francesa de 1968, quando muitos outros jovens faziam seus ideais virarem protestos nas ruas de Paris com a Revolução Estudantil.

De volta ao mundo fechado, entre paredes, os três jovens se testam para ver o quanto cada um pode suportar as regras estabelecidas por eles próprios. Das regras o que chama atenção é o tema central “o próprio cinema”; os jovens fazem encenações e a regra do jogo era descobrir “qual é o filme?”. E também a paixão humana, discussões intelectuais e a política faziam parte das adivinhações do jogo, onde as regras deixam-os viver diferentes emoções e deixa o pensamento sexual tomar conta e passa por cima da criança que cada um ainda tem. O que parece um tipo de pornografia juvenil indica a descoberta, a reflexão, a idéia de regras, coloca o conhecimento e experiência lado a lado; a idéia de mostrar os desejos e aspirações humanas mistura (também) paixão pelo ideal político, pelos filmes (cinema) e a paixão que provém da sexualidade.

A maneira chocante com que Bertolucci aborda o conhecimento das novas experiências e também a convivência dos irmãos deixa claro a idéia de metades complementares de Isabelle e Theo.

De um modo geral, o filme traz não só a Revolução Estudantil, retrospectiva de filmes clássicos, pornografia sem sentido e sim os desejos da alma rebuscados com um toque especial que o cinema traz.

Elaine Almeida

quarta-feira, 20 de maio de 2009

ILHA DAS FLORES OU ILHA DAS "DORES"




Você é "um animal mamífero, bípede, que se distinguem dos outros mamíferos ... ou bípedes... principalmente por duas características: o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor"? Então você é um (a) humano (a). Essa é uma das frases, repetida várias vezes, que compõe o roteiro do documentário “Ilha das Flores”: um tomate é plantado, colhido, vendido e termina no lixo da Ilha das Flores, entre porcos, mulheres e crianças. Tal roteiro foi escrito e dirigido pelo cineasta Jorge Furtado e narra um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo. Produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre, o documentário tem a duração de 13 minutos. Possui uma linguagem quase científica e mostra como a economia gera relações desiguais entre os seres humanos, que na Ilha das “Dores”, quer dizer, das “Flores”, são menos importantes que os porcos.

Com música do filme "O Guarani”, o documentário acompanha a trajetória de um simples tomate, desde sua plantação até ser jogado no lixo. Tal tomate acaba num lugar chamado “Ilha das Flores”, povoada por animais, lixo, mulheres e crianças. Estas duas últimas "classes" não têm donos; as duas primeiras, têm! Sendo assim, fica óbvia a diferença que existe entre tomates, porcos e seres humanos. O curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho. Além de desencadear informações relevantes no seu decorrer (uma informação levando à outra e assim sucessivamente), o curta-metragem coloca a questão da “liberdade aprisionada”, ou seja, ao mesmo tempo que se é livre se é preso, pois mulheres e crianças tem apenas 300 segundos para conseguir pegar alimentos que nem para os porcos serviram. Quer dor pior que isso? Se alimentar da sobra (lixo) que nem os animais quadrúpedes irão comer?

Dentre os prêmios recebidos destacam-se o Urso de Prata no Festival de Berlim (1990) ; Prêmio Crítica e Público no Festival de Clermont-Ferrand, na França (1991) ; Melhor Curta, Melhor Edição, Melhor Roteiro e Prêmio da Crítica no Festival de Gramado (1989).




Por Nathália Rodrigues

terça-feira, 19 de maio de 2009

Documentário “Janela da Alma”: O olhar sob várias perspectivas



À primeira vista o documentário de João Jardim e Walter Carvalho aparenta ser um filme sobre o ato de ver, e como algumas pessoas que possuem limitações físicas visuais o encara. Porém, o próprio título do documentário deixa transparecer que é muito mais que isso. O documentário não se limita a tratar da visão ou da falta e escassez dela a partir de uma perspectiva pessimista ou limitada. O documentário vai além, ressaltando a questão do olhar como intermediador entre o subjetivo e o real - podemos escolher a forma de como olhar para o real ou quando não temos essa escolha, a própria limitação irá criar outras estratégias de construção do real. O filme de Jardim e Carvalho, investiga sobre o tema “visão”, através de diversas vertentes, sejam elas de cunho artístico, filosófico, poético, científico ou social. O intuito desse documentário é fornecer múltiplas interpretações do discurso imagético.


O primeiro depoimento apresentado é o de Hermeto Pascoal, músico multinstrumentista, que não consegue fixar os olhos em um único objeto. Suas pupilas se mexem ininterruptamente em diferentes direções, o que o faz descrever com bom humor, que sua vista é rica, porque enxerga mais. Hermeto Pascoal revela que quando tinha 30 anos, chegou a querer ser cego temporariamente, para que assim pudesse melhor desenvolver sua percepção musical. O músico diz que a visão não se dá fisicamente, com os olhos. Ao contrário, a visão verdadeira seria a visão interior. A questão da imaginação, uma outra leitura para essa questão da visão interior, exposta por Hermeto Pascoal, também é abordada no filme. A imaginação como alimentador da criação artística. Para o poeta Manoel de Barros, “a transfiguração é a coisa mais importante para o artista”. Manoel de Barros diz isso explicando que o modo como enxerga fisicamente o mundo não influencia seu trabalho, mas sim o seu olhar interior.


Outros depoimentos ao longo do documentário também marcam muito, como é o caso do fotógrafo cego esloveno Evgen Bavcar que conseguia através de suas fotografias, obter imagens do objeto focado. Qualquer pessoa se perguntaria como um fotógrafo cego consegue enquadrar uma fotografia? O documentário não responde a essa pergunta e nem mesmo o Evgen, mas o documentário mostra o fotógrafo em ação, fazendo fotografias e medindo com as mãos o foco, tateando o espaço entre a câmera e a modelo. Certa vez ele também fotografou a sobrinha Verônica num campo e foi guiado pelo som do sininho que ela carregava para tal ação. E é como ele diz: “Na verdade fotografei o sininho, mas este não pode ser visto. Trata-se então de uma fotografia do invisível”. O fotógrafo cego trabalha com a "desnaturalização" do discurso imagético, com o olhar inorgânico, ou seja, ele trabalha com a fotografia que não apresenta referencial, necessitando de uma construção de significado. As fotografias dele são interessantes por isso, pois não são prontas. Evgen também questiona a perda da capacidade de saber olhar que vem acometendo às gerações atuais. E esse olhar não é o físico, mas aquele que o escritor José Saramago, autor do livro Ensaio sobre a Cegueira, explicitou na sua fala. Saramago fala de como surgiu a idéia de escrever Ensaio sobre a Cegueira: ele se questionou como seria o mundo se todos fôssemos cegos. De acordo com sua reflexão, a resposta é que já somos, tendo em vista a total desordem que assola os países, o desafeto entre as pessoas, a miséria etc. O livro de Saramago ainda serviu como base para a contrução do roteiro do filme "Ensaio sobre a cegueira" de 2008, que mostra a proliferação de uma epidemia de cegueira numa cidade moderna, resultando no colapso da sociedade. Assistam ao trailer do filme:



Outro depoimento que me impressionou foi o da cineasta Marjut Rimminen, que tem um trauma relacionado à forma como ela achava que a mãe a olhava pelo seu estrabismo. “Many Happy Returns”, filme com estética de animação, dirigido por ela e que trata de deformidade, de certa forma espelha o trauma a pouco relatado. Segundo Marjut, o que a inspirou a fazer tal filme foi a questão da pressão psicológica atribuída à menina deformada (personagem principal), pelo fato dela ter que ver e testemunhar fatos difíceis e traumatizantes. Marjut hoje em dia, depois de uma cirurgia corretiva nos olhos e depois de constatar que ninguém percebeu a diferença nela, chegou a conclusão de que a lesão que ela tinha era interna e tinha mais a ver com uma realidade construída por ela, do que com a visão que os outros tinham dela.

Um trecho do filme Many Happy Returns:




Para intercalar entrevistas ou mesmo para explicitar um sentimento, a fotografia de Walter Carvalho busca imagens que (re)pensam o ato de ver. Esse é o sentido do primeiro plano do filme, quando saindo da tela preta, surgem imagens desfocadas de uma fogueira sendo alimentada em meio à escuridão remetendo ao mito da caverna, de Platão – é como se vivêssemos num mundo de ilusão, e por isso mesmo necessitamos da luz da verdade para nossa libertação desse mundo. Em seguida, a segunda dessas imagens incorporadas ao filme é um plano em super detalhe da pele de uma mulher. A proximidade da lente é tal que o corpo torna-se quase algo abstrato, sendo reconhecido apenas após alguns segundos.


mostra o fotógrafo em ação, fazendo fotografias e medindo com as mãos o foco, tateando o espaço entre a câmera e a modeAo longo do documentário são transmitidas também, imagens desfocadas à semelhança de olhos míopes que buscam captar a sua própria realidade. É o caminho percorrido no plano da expressão para a “desnaturalização” da imagem, caminhando para a pura abstração na seqüência das luzes noturnas das grandes cidades desfocadas.


As últimas cenas são de um parto natural sendo filmado sem cortes. No fim, vê-se o recém-nascido abrindo os olhos e ali temos o primeiro contato visual da criança com o mundo. Com essa imagem da criança abrindo os olhos pela primeira vez, o documentário está reiniciando toda a discussão. E é esse ver (ou não ver) que norteou toda a problemática de Janela da Alma.


Para finalizar, é como o poeta Antônio Cícero ressalta ao problematizar a expressão que dá o título do filme, cunhada pelo pintor renascentista Leonardo da Vinci: “o olho é a janela da alma, o espelho do mundo”. Para Cícero, o problema em questão é que se o olho é a janela da alma, há aí a necessidade de um outro olho para ver essa janela (que também é janela). E aí é necessário mais um olho e assim sucessivamente, até o infinito. E é com essa bela interpretação que encerro a minha análise sobre esse documentário que é pura poesia e lirismo. Eis um trecho deste esplêndido documentário:





Por Nathielle Hó, estudante do 5º período de Comunicação Social, do Centro Universitário Plínio Leite.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A história do cinema até os cineclubes




O cinema conhecido como 7ª Arte nasceu de várias inovações que estão entre o domínio fotográfico e o uso da persistência da visão, quando usa da síntese do movimento. Os irmãos Lumière fizeram a apresentação pública do projeto (cinematógrafo) e fariam nascer a indústria multibilionária. As projeções feitas sem áudio e algumas vezes com som ao vivo, textos representando um diálogo entre as cenas, prendiam a atenção do público que conhecia a nova técnica, seria o cinema mudo.

O ilusionista francês, George Méliès, começou a exibir filmes em 1896, gravados através da filmadora que ganhara naquele mesmo ano. Ele foi o pioneiro em alguns efeitos especiais. No filme “Viagem à Lua” de 14 minutos, ele tratou do assunto de alienígenas. Até então Itália e França tinham o cinema mais popular e poderoso do mundo; quando a 1ª Guerra Mundial veio à tona a Europa perdeu esse título e Hollywood destacou-se fazendo e importando filmes. Os filmes vinham sendo aprimorados e usando da criatividade (do som, por exemplo, fez nascer novos gêneros no cinema, ou seja, os musicais e algumas comédias – “Comédias Musicais”).


Nos anos 40, época em que ocorria a 2ª Guerra Mundial – Inglaterra e EUA produziram filmes com o apelo patriota, dentre os filmes que marcaram época está o “Casablanca” de 1942



O cinema busca a perfeição, originalidade, ou seja, uma réplica da realidade, ou ainda uma ficção elaborada com muitos efeitos. Nesse contexto elabora-se a cena (tempo e espaço que desenrola uma parte do filme); Enquadramento (ação de selecionar determinada parte do cenário); Fotograma (imagens fotográficas estáticas); Fusão (passagem gradativa, com sobreposição de imagem para outra); Plano (intervalo que há entre dois cortes); Tomada (captura feita de uma determinada parte do filme); e ainda uma história fundada, relacionada com algum fato histórico, do dia a dia, científico, ou ainda fatos inventados (ficção). Essas ligações das cenas e representações despertam a curiosidade daqueles que observam as projeções exibidas no cinema; propiciando debates/ discussões sobre as coisas que cada cena representa. Isso leva os admiradores a debater com conhecimento e poder crítico sobre assuntos que compartilhem a mesma idéia.

Já o cineclube busca a interação entre amigos e interessados pelo cinema, com determinados gostos históricos, efeitos, cenário entre várias coisas que podem ser analisados a cada filme, a cada sessão. A facilidade que a era digital oferece possibilita reproduções em diversos lugares, com diferentes grupos, reunindo pessoas com gostos diferenciados, substituindo os projetores tradicionais e usando de um meio alternativo. Os grupos que freqüentam os cineclubes aumentam cada vez mais e atraem um mercado audiovisual carente de apoio para exibições e que tem apoio do observatório de favelas, priorizando o cinema experimental e vídeo arte. Os cineclubes são multiplicadores de público (onde se encontram formadores de opinião e guardiões de uma certa diversidade cultural) e ainda difusores de ideais de obras que nem sempre chegam ao público. Hoje a Ancine dispõe de um modelo de formulário para o registro do cineclube no site, o que garante a exibição de filmes nos lugares escolhidos por seus idealizadores.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Cineclube UNIPLI


Ao tocar no assunto cineclube no estado do Rio de Janeiro, Niterói tem se destacado no número de cineclubes, e para somar ao cenário considerado underground, já que os filmes não são exibidos em salas de cinemas tradicionais o cineclube UNIPLI foi criado, com o propósito de estimular o olhar crítico do público, e fazer com que ele possa adquirir um pensamento filosófico amplo em relação ao seu dia a dia. Seu projeto foi elaborado pelos alunos e professores do curso de comunicação social do Centro Universitário Plínio Leite. Exibido quinzenalmente, os filmes são escolhidos minuciosamente pelos professores, e cada filme aborda um assunto de interesse do público. Sua exibição é feita no auditório da UNIPLI, que tem a capacidade para receber 200 pessoas por sessão, o início dos filmes é às 19h e após a exibição, tem um debate com palestrantes convidados, professores e alunos. "Os sonhadores" e "Adeus Lênin" foram os primeiros filmes a serem exibidos, já que o Cineclube UNIPLI teve inicio mês passado. O Cineclube UNIPLI vem atraindo a atenção do público com filmes que não são normalmente exibidos no cenário nacional. A entrada é franca.


Serviço: Para quem gosta de cineclube uma boa pedida é o Cineclube UNIPLI que fica na Av. Visconde do Rio Branco 123 – Centro – Niterói.
Outras Informações:Tel.: (21) 2199 - 1441 e (21) 2199 - 1418.

 
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