quinta-feira, 4 de junho de 2009

Curta Petrobrás às 6


O projeto que se encontra na 6ª edição, exibe diariamente curtas-metragens. As sessões são gratuitas e sempre às seis da tarde. Proporcionando ao público o acesso a uma produção que normalmente só teria espaço de exibição em festivais de cinema.

O espectador é apresentado ao trabalho de cineastas iniciantes e consagrados. Em média, a cada edição são exibidos 90 títulos, agrupados em programas temáticos. Eles permanecem em cartaz durante 26 dias.

O Projeto patrocinado pela Petrobrás, passou a receber a partir da quarta edição (abril de 2002) o apoio da ABD e da Abraplex para sua exibição.

Em Niterói o Curta Petrobrás é exibido no Cinemark do Plaza Shopping.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

The Edukators

The Edukators – O filme pega linha adolescentes mais uma vez para discutir ideais políticos. Três amigos inseparáveis, Jan, Peter e Jule, onde os rapazes dividem o mesmo apartamento e também uma militância política bastante original; acreditando que o principal e indispensável é assumir uma posição para mudar o mundo.

Os adolescentes fazem suas próprias regras e clandestinamente protestos isolados, pois entram em mansões vazias e mudam e espalham os pertences ali presentes. Com parte do objetivo cumprido, outra parte seria levada em conta, como as mensagens de alerta/ protesto deixados no local “Seus dias de abundancia estão contados” e “você tem mais dinheiro do que deveria ter”.

A invasão como protesto acaba tomando proporção de um protesto intimidador, ou seja, uma forma de atingir o sentimento de segurança do “burguês”. A ideia central do filme traz a indagação do que nossa geração fez ou ainda pode fazer para mudar o mundo. O filme tenta transparecer que ainda há idealismo entre uma geração e que apesar da idéia capitalista esmagar uma grande maioria, há aqueles que agem para mudar. E que o conflito de gerações propõe a questão se “o tempo esfria os anseios revolucionários?” Os conflitos guiados dentro do filme sugerem que os jovens de classe média tenham muito a fazer para mudar o mundo.


Elaine Almeida

sexta-feira, 29 de maio de 2009

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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Curta os curtas



O formato curta-metragem existe desde o início do século passado, mas, foi a partir dos anos 80 que as Mostras de Cinema no Brasil passaram a dar destaque para esse formato cinematográfico. O termo “curta-metragem” surgiu nos Estados Unidos por volta de 1910, quando os filmes passaram a ter maior duração, sendo necessário inseri-los em diferentes categorias: curta, média -metragem (acima de 30 minutos), e longa-metragem (acima de 70 minutos). Apesar da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), classificar oficialmente como curta metragem os filmes com duração inferior a 15 minutos, em alguns lugares, filmes com menos de 30 minutos também são considerados curtas-metragens.

Diferente do que acontece com os outros tipos de produções, os curtas-metragens se popularizaram com o gênero de animação. Também utilizam o formato de curta-metragem para os live-action. Além disso, o formato é bastante utilizado na produção de documentários e principalmente em filmagens universitárias e filmes de pesquisa experimental.

Alguns curtas que achei interessantes citar são do Jorge Furtado:

O Dia em que Dorival Encarou a Guarda
A obra é uma adaptação do oitavo episódio do livro "O Amor de Pedro por João", de Tabajara Ruas. Em uma prisão militar, o detento Dorival tenta convencer os guardas a permitir que ele tome um banho. Mas o preso esbarra na negativa dos guardas, embora estes não consigam justificar para Dorival a razão que o impede de tomar o banho. Eis um trecho:




Temporal
Numa mesma casa, na mesma noite, reúnem-se dois grupos. Um formado por senhores muito sérios, integrantes de uma ordem religiosa. O outro, um bando de malucos em fantasias de animais, numa festa com sexo e rock'n'roll. Quando começa o temporal e a luz apaga, tudo pode acontecer. Eis um trecho:



A Matadeira
O filme conta o massacre de Canudos a partir de um canhão inglês, apelidado pelos sertanejos de a matadeira, que foi transportado por vinte juntas de boi através do sertão para disparar um único tiro.

Por Nathielle Hó, estudante do 5º período de Comunicação Social, do Centro Universitário Plínio Leite.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Os Sonhadores


Os sonhadores - O filme de Bertolucci é uma representação e também reflexão em um mundo adolescente misturado com ares de criança. Os irmãos Isabelle e Theo se encontram sozinhos em Paris em um período em que seus pais saem de férias e convidam um jovem americano, Matthew, para fazer-lhes companhia. Dentro do apartamento, os jovens criam suas próprias regras e desfrutam/ e as obedecem entre si. Fora do núcleo em que as regras seguem os ideais dos adolescentes, segue o cenário da política francesa de 1968, quando muitos outros jovens faziam seus ideais virarem protestos nas ruas de Paris com a Revolução Estudantil.

De volta ao mundo fechado, entre paredes, os três jovens se testam para ver o quanto cada um pode suportar as regras estabelecidas por eles próprios. Das regras o que chama atenção é o tema central “o próprio cinema”; os jovens fazem encenações e a regra do jogo era descobrir “qual é o filme?”. E também a paixão humana, discussões intelectuais e a política faziam parte das adivinhações do jogo, onde as regras deixam-os viver diferentes emoções e deixa o pensamento sexual tomar conta e passa por cima da criança que cada um ainda tem. O que parece um tipo de pornografia juvenil indica a descoberta, a reflexão, a idéia de regras, coloca o conhecimento e experiência lado a lado; a idéia de mostrar os desejos e aspirações humanas mistura (também) paixão pelo ideal político, pelos filmes (cinema) e a paixão que provém da sexualidade.

A maneira chocante com que Bertolucci aborda o conhecimento das novas experiências e também a convivência dos irmãos deixa claro a idéia de metades complementares de Isabelle e Theo.

De um modo geral, o filme traz não só a Revolução Estudantil, retrospectiva de filmes clássicos, pornografia sem sentido e sim os desejos da alma rebuscados com um toque especial que o cinema traz.

Elaine Almeida

quarta-feira, 20 de maio de 2009

ILHA DAS FLORES OU ILHA DAS "DORES"




Você é "um animal mamífero, bípede, que se distinguem dos outros mamíferos ... ou bípedes... principalmente por duas características: o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor"? Então você é um (a) humano (a). Essa é uma das frases, repetida várias vezes, que compõe o roteiro do documentário “Ilha das Flores”: um tomate é plantado, colhido, vendido e termina no lixo da Ilha das Flores, entre porcos, mulheres e crianças. Tal roteiro foi escrito e dirigido pelo cineasta Jorge Furtado e narra um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo. Produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre, o documentário tem a duração de 13 minutos. Possui uma linguagem quase científica e mostra como a economia gera relações desiguais entre os seres humanos, que na Ilha das “Dores”, quer dizer, das “Flores”, são menos importantes que os porcos.

Com música do filme "O Guarani”, o documentário acompanha a trajetória de um simples tomate, desde sua plantação até ser jogado no lixo. Tal tomate acaba num lugar chamado “Ilha das Flores”, povoada por animais, lixo, mulheres e crianças. Estas duas últimas "classes" não têm donos; as duas primeiras, têm! Sendo assim, fica óbvia a diferença que existe entre tomates, porcos e seres humanos. O curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho. Além de desencadear informações relevantes no seu decorrer (uma informação levando à outra e assim sucessivamente), o curta-metragem coloca a questão da “liberdade aprisionada”, ou seja, ao mesmo tempo que se é livre se é preso, pois mulheres e crianças tem apenas 300 segundos para conseguir pegar alimentos que nem para os porcos serviram. Quer dor pior que isso? Se alimentar da sobra (lixo) que nem os animais quadrúpedes irão comer?

Dentre os prêmios recebidos destacam-se o Urso de Prata no Festival de Berlim (1990) ; Prêmio Crítica e Público no Festival de Clermont-Ferrand, na França (1991) ; Melhor Curta, Melhor Edição, Melhor Roteiro e Prêmio da Crítica no Festival de Gramado (1989).




Por Nathália Rodrigues

terça-feira, 19 de maio de 2009

Documentário “Janela da Alma”: O olhar sob várias perspectivas



À primeira vista o documentário de João Jardim e Walter Carvalho aparenta ser um filme sobre o ato de ver, e como algumas pessoas que possuem limitações físicas visuais o encara. Porém, o próprio título do documentário deixa transparecer que é muito mais que isso. O documentário não se limita a tratar da visão ou da falta e escassez dela a partir de uma perspectiva pessimista ou limitada. O documentário vai além, ressaltando a questão do olhar como intermediador entre o subjetivo e o real - podemos escolher a forma de como olhar para o real ou quando não temos essa escolha, a própria limitação irá criar outras estratégias de construção do real. O filme de Jardim e Carvalho, investiga sobre o tema “visão”, através de diversas vertentes, sejam elas de cunho artístico, filosófico, poético, científico ou social. O intuito desse documentário é fornecer múltiplas interpretações do discurso imagético.


O primeiro depoimento apresentado é o de Hermeto Pascoal, músico multinstrumentista, que não consegue fixar os olhos em um único objeto. Suas pupilas se mexem ininterruptamente em diferentes direções, o que o faz descrever com bom humor, que sua vista é rica, porque enxerga mais. Hermeto Pascoal revela que quando tinha 30 anos, chegou a querer ser cego temporariamente, para que assim pudesse melhor desenvolver sua percepção musical. O músico diz que a visão não se dá fisicamente, com os olhos. Ao contrário, a visão verdadeira seria a visão interior. A questão da imaginação, uma outra leitura para essa questão da visão interior, exposta por Hermeto Pascoal, também é abordada no filme. A imaginação como alimentador da criação artística. Para o poeta Manoel de Barros, “a transfiguração é a coisa mais importante para o artista”. Manoel de Barros diz isso explicando que o modo como enxerga fisicamente o mundo não influencia seu trabalho, mas sim o seu olhar interior.


Outros depoimentos ao longo do documentário também marcam muito, como é o caso do fotógrafo cego esloveno Evgen Bavcar que conseguia através de suas fotografias, obter imagens do objeto focado. Qualquer pessoa se perguntaria como um fotógrafo cego consegue enquadrar uma fotografia? O documentário não responde a essa pergunta e nem mesmo o Evgen, mas o documentário mostra o fotógrafo em ação, fazendo fotografias e medindo com as mãos o foco, tateando o espaço entre a câmera e a modelo. Certa vez ele também fotografou a sobrinha Verônica num campo e foi guiado pelo som do sininho que ela carregava para tal ação. E é como ele diz: “Na verdade fotografei o sininho, mas este não pode ser visto. Trata-se então de uma fotografia do invisível”. O fotógrafo cego trabalha com a "desnaturalização" do discurso imagético, com o olhar inorgânico, ou seja, ele trabalha com a fotografia que não apresenta referencial, necessitando de uma construção de significado. As fotografias dele são interessantes por isso, pois não são prontas. Evgen também questiona a perda da capacidade de saber olhar que vem acometendo às gerações atuais. E esse olhar não é o físico, mas aquele que o escritor José Saramago, autor do livro Ensaio sobre a Cegueira, explicitou na sua fala. Saramago fala de como surgiu a idéia de escrever Ensaio sobre a Cegueira: ele se questionou como seria o mundo se todos fôssemos cegos. De acordo com sua reflexão, a resposta é que já somos, tendo em vista a total desordem que assola os países, o desafeto entre as pessoas, a miséria etc. O livro de Saramago ainda serviu como base para a contrução do roteiro do filme "Ensaio sobre a cegueira" de 2008, que mostra a proliferação de uma epidemia de cegueira numa cidade moderna, resultando no colapso da sociedade. Assistam ao trailer do filme:



Outro depoimento que me impressionou foi o da cineasta Marjut Rimminen, que tem um trauma relacionado à forma como ela achava que a mãe a olhava pelo seu estrabismo. “Many Happy Returns”, filme com estética de animação, dirigido por ela e que trata de deformidade, de certa forma espelha o trauma a pouco relatado. Segundo Marjut, o que a inspirou a fazer tal filme foi a questão da pressão psicológica atribuída à menina deformada (personagem principal), pelo fato dela ter que ver e testemunhar fatos difíceis e traumatizantes. Marjut hoje em dia, depois de uma cirurgia corretiva nos olhos e depois de constatar que ninguém percebeu a diferença nela, chegou a conclusão de que a lesão que ela tinha era interna e tinha mais a ver com uma realidade construída por ela, do que com a visão que os outros tinham dela.

Um trecho do filme Many Happy Returns:




Para intercalar entrevistas ou mesmo para explicitar um sentimento, a fotografia de Walter Carvalho busca imagens que (re)pensam o ato de ver. Esse é o sentido do primeiro plano do filme, quando saindo da tela preta, surgem imagens desfocadas de uma fogueira sendo alimentada em meio à escuridão remetendo ao mito da caverna, de Platão – é como se vivêssemos num mundo de ilusão, e por isso mesmo necessitamos da luz da verdade para nossa libertação desse mundo. Em seguida, a segunda dessas imagens incorporadas ao filme é um plano em super detalhe da pele de uma mulher. A proximidade da lente é tal que o corpo torna-se quase algo abstrato, sendo reconhecido apenas após alguns segundos.


mostra o fotógrafo em ação, fazendo fotografias e medindo com as mãos o foco, tateando o espaço entre a câmera e a modeAo longo do documentário são transmitidas também, imagens desfocadas à semelhança de olhos míopes que buscam captar a sua própria realidade. É o caminho percorrido no plano da expressão para a “desnaturalização” da imagem, caminhando para a pura abstração na seqüência das luzes noturnas das grandes cidades desfocadas.


As últimas cenas são de um parto natural sendo filmado sem cortes. No fim, vê-se o recém-nascido abrindo os olhos e ali temos o primeiro contato visual da criança com o mundo. Com essa imagem da criança abrindo os olhos pela primeira vez, o documentário está reiniciando toda a discussão. E é esse ver (ou não ver) que norteou toda a problemática de Janela da Alma.


Para finalizar, é como o poeta Antônio Cícero ressalta ao problematizar a expressão que dá o título do filme, cunhada pelo pintor renascentista Leonardo da Vinci: “o olho é a janela da alma, o espelho do mundo”. Para Cícero, o problema em questão é que se o olho é a janela da alma, há aí a necessidade de um outro olho para ver essa janela (que também é janela). E aí é necessário mais um olho e assim sucessivamente, até o infinito. E é com essa bela interpretação que encerro a minha análise sobre esse documentário que é pura poesia e lirismo. Eis um trecho deste esplêndido documentário:





Por Nathielle Hó, estudante do 5º período de Comunicação Social, do Centro Universitário Plínio Leite.

 
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